Atividade de música realizada nas visitas monitoradas ao Museu Guido Viaro (2011)
- Anderson Zabrocki
- 20 de out. de 2017
- 4 min de leitura
fotografia: Faisal Iskandar
Uma das propostas do blog é apresentar diferentes experiências e contextos nos quais nós podemos atuar, seja como artistas, ou educadores, por vezes ambas as funções mutuamente. Por isso, aproveito para compartilhar esse relato de uma atividade que tive a oportunidade de desenvolver em 2011.
Relato da atividade realizada no período de 3 a 14 de agosto de 2011, em que o Museu Guido Viaro recebeu grupos de estudantes das séries primarias da escola municipal XIV de Janeiro do Município de Fazenda Rio Grande (além da atividade de música havia outras duas atividades que ocorriam simultaneamente, desenvolvidas pelo pintor Jair Mendes e pela coordenadora de ação educativa do Museu, Daiani Faraj).
Para encontrar algumas das respostas ousei tomar a visão do violeiro e de seu cotidiano para elaborar uma singela canção sobre as coisas que imaginei que o inspiravam a compor. Busquei as referências que me vinham na memória de gravações das melodias chorosas dos violonistas dos anos 40 para ambientar os versos. E apresentava essa canção para as crianças, ilustrando o que eu imaginava que o violeiro cantava naquela pacata praça curitibana daquele tempo.A atividade de música era realizada no primeiro andar do museu. Ao chegar no local da atividade as crianças se deparavam com o som do violão e um violonista tão concentrado que a chegada das crianças em nada o atrapalhava. Ao perceber a música e o músico ali presentes as crianças silenciavam e sentavam nas cadeiras prestando atenção no som e na perfomance. Assim que a peça na qual o violonista se concentrava em tocar terminava, ele se apresentava tranquilamente com tom de voz baixo para manter aquela “atmosfera” e anunciava a atividade de música. A primeira tarefa era observar o máximo de elementos que compõe o quadro “O violeiro”(1945) de Guido Viaro. Na sequencia eram discutidas as informações observadas. Estaria aquele violeiro em Curitiba? Em que bairro? Em que praça? Que dia da semana seria aquele em que o violeiro foi retratado? Que tipo de música fazia o violeiro, ele apenas tocava ou cantava também? Perguntas difíceis de responder com exatidão, mas, que a observação e a criatividade tratam de encontrar respostas mesmo não havendo a necessidade de comprovar algo, proporcionando o deleite da observação atenta e criativa.
O Violeiro (Anderson Zabrocki)
“O violeiro com seu violão Tanta canção ele pode fazer. Ele vai cedo pra praça Posiciona a viola e começa a cantar.
Canta, sobre os passarinhos Sobre o céu tão bonito Da igrejinha, o altar. Canta, das crianças brincadeiras Das ‘menina’ e as ‘flô’ que enfeitam o jardim.”
Dando continuidade à atividade, utilizamos a deixa do violeiro para testar o conhecimento das crianças a respeito de nomes de instrumentos e os títulos que recebem as pessoas que tocavam cada um daqueles instrumentos posicionados no canto da Sala (violino, flauta doce, pandeiro, cavaquinho,violão) e também aqueles instrumentos aos quais eles tem maior familiaridade e sabiam atribuir o título daqueles que o tocam, ex: bateria – baterista, guitarra- guitarrista, etc. Com isso estabelecíamos o sufixo -ista como padrão comum para atribuir o título a cada um que toca determinado instrumento (instrumento+ista)…violino-violinista, cavaquinho-cavaquista , flauta- flautista, etc. O “eiro” do violeiro seria aplicado a instrumentistas que tocam instrumentos tipicamente encontrados na música do interior do Brasil : sanfona, gaita, rabeca, viola, etc. Seguindo essa breve explicação, Andrey Luna Giron, funcionário do museu e possuidor de amplo conhecimento musical apresentava o som de cada um dos instrumentos e a maneira de toca-los, exemplificava de forma divertida os timbres e tessituras dos instrumentos, comparando-os com sons emitidos por animais grandes e pequenos. Após as demonstrações permitia que as crianças experimentassem cada um dos instrumentos e a maneira de tirar o som de cada um.
Para finalizar, foi apresentado um instrumento que todos possuem: a voz. Era realizado um aquecimento cantando as notas da escala musical (que uma boa parte das crianças não conhecia) e isso era realizado assimilando cada altura de nota a uma parte do corpo(ex: o primeiro dó, grave, encostando as mãos na ponta do pé, ré encostando as mãos nas canelas e assim por diante, até o dó agudo, encostando as mãos na cabeça). A atividade se encerrava com o canto. Foi ensinado um pequeno cânone¹ que podia ser realizado a 2 ou 3 vozes para as crianças sentirem o gostinho da pratica do canto coral e polifonia².
Nessa atividade foram apresentados elementos importantes para a sensibilização da escuta e aprendizado musical. Os elementos presentes no desenvolvimento da ação foram: apreciação/escuta musical, novos sons/instrumentos e pratica musical, através do canto. ( Duração aproximada 25 minutos).
Anderson Zabrocki, músico educador, violonista, produtor musical.
¹Cânone – (lat.canon, sistema,regra;fr.ing.canon;al.Kanon) Na música, o cânone consiste em uma técnica de imitação a duas ou mais partes cujas origens remontam a meados do século XIII. Uma seção (ou movimento) é elaborada a partir de uma melodia inicial, que é inciada em compassos diferentes entre outros instrumentos ou vozes. Um bom exemplo é a brincadeira de crianças sobre a francesa Frères Jaques.
²Polifonia – (it.gr: vários sons; ing: polyphony, fr.,al. polyphonie) Estilo musical no qual várias vozes ou partes instrumentais são combinadas de maneira contrapontística(mantendo a individualidade da linha) em oposição a homofonia(um único som ou melodia).
Dourado, Henrique. Dicionário de termos e expressões em música. São Paulo: Ed 34, 2004.




Comentários